É uma cueca quase feminina. Os melhores modelos são de seda, mas os de cetim também podem ser muito agradáveis ao toque. Na música, é um jeito leve de cantar as tristezas da vida e as belezas do amor. É com a idéia de associar a sensibilidade feminina ao mundo masculino que "Samba-canção" reúne seis mulheres para experimentar o prazer de vestir uma cueca de seda pura. São elas com as dores e os prazeres que imaginam existir no lugar deles.
Elas por Elas
Linda&Loura
Maria sai da toca
Mulherzinha
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A letra H, quinto capítulo
Por Reox
Foi tudo muito rápido. Ao abrir os olhos estava numa sala, com Cláudia, aquela mulher que apareceu em sua vida para conforta-lo e que agora, lhe trazia um copo de água com açúcar. Nervoso, Marcos joga o copo longe, acertando um quadro. Cláudia pede calma e revela:
- Marcos, eu sempre soube. Você tem que se manter calmo, porque eu tenho algo muito importante para revelar. Eu sempre fui apaixonada por Helena. Eu amava aquela mulher! Quando o meu ex-marido descobriu minha fixação por ela, resolveu me deixar. Ele dizia que era fixação, eu chamo de amor. Ele não entende... Eu continuei levando a vida e quando soube que vocês terminaram, achei que a minha vez havia chegado. Fiquei feliz e fui encontrá-la para fazer uma surpresa. Ela sabia dos meus sentimentos e tinha vergonha de te contar, mas eu nunca deixei de investir. E se você quer saber, até saímos algumas vezes, mas eu jamais poderia oferecer-lhe a vida que você deu a ela. Ela não me deixava visitá-los por que sabia que nos conhecíamos e tinha medo de ser descoberta. No fundo, Helena gosta é de dinheiro, só insistiu em continuar trabalhando depois do casamento para não levantar suspeitas de suas reais intenções. Quando cheguei em frente ao prédio dela, dei de cara com ela e aquele canalha do Humberto. Dias depois, Helena, como amiga, me contou tudo. Eles estão envolvidos há dois anos, desde Porto de Galinhas. Aliás, Helena jamais deveria ter saído de lá!
Marcos estava catatônico. Sua alma parecia não residir mais em seu corpo. Cláudia continuou:
- Então eu resolvi ir atrás de você para juntos arruinarmos a vida dos dois traidores. Estava prestes a te contar tudo, jamais cogitei a possibilidade de encontrá-los aqui. Sei algo sobre a sua demissão também. Sinto muito por ter participado disso, de certa forma. Quando o Humberto descobriu que eu estava sabendo do caso dos dois, resolveu demiti-lo. Ele tinha medo que eu te contasse tudo e que você boicotasse suas falcatruas dentro do banco. Ele imaginava que, com você fora do banco, nós não teríamos como desmascara-lo. Mas nós temos, não temos?
Neste momento, o filme das torres passava ininterruptamente pela cabeça de Marcos, e o som da última frase de Helena ecoava em off, ¿o mundo está desmanchando, não adianta ficar inflexível¿. Será que ele havia ficado tão bitolado a ponto de não perceber nada em sua volta? Será que o fato de pensar tanto no trabalho, ser tão compenetrado para poder dar uma vida de luxo para Helena o teria endurecido a ponto de cega-lo? Nada mais fazia sentido para Marcos. E o que é que essa louca da Claudia estava querendo? Ele poderia mesmo se vingar, se quisesse. Tinha provas de uma transferência ilegal, um grande golpe de Humberto dentro do banco. Nunca foi dado a chantagens, mas mesmo assim, achou importante manter em seu poder algo que pudesse incriminar Humberto, já que sempre o odiou. Quando foi demitido, nem se lembrou do documento, tamanho o choque. Mas agora havia um motivo mais do que concreto para desmascarar seu carrasco. Helena, Humberto. A letra "agá" simbolizando as torres gêmeas. Ele seria um dos aviões. Cláudia seria o outro.
Publicado em 7/30/2004
Torres Gêmeas - capítulo 4
Por Raquel, Linda&Loura
Marcos sentiu um calafrio na espinha. A lembrança da última vez em que subira a serra e entrara naquela padaria, um ano antes, fez o corpo estremecer. Parecia ter sido ontem: Helena no carro esperando, o celular do banco no bolso da camisa, os pensamentos sobre o 11 de setembro e sobre as torres caindo... Não chegou a perceber quanto tempo ficou parado, imóvel, na porta. Sentiu a mão da Cláudia puxar a sua:
- Vamos?
Deu um sorriso amarelo e assentiu com a cabeça. Não estava certo se deveria mesmo. Não estava certo de que deveria ter transado com Cláudia, nem se errara ao evitá-la nos meses seguintes. Não estava certo se deveria ter gasto todas as suas reservas em um empreendimento arriscado, nem se errara ao aceitar a função de gerente financeiro da nova empresa. Não estava certo de que deveria ter ligado para Cláudia no dia anterior, em pleno surto de carência, nem se errara ao escolher aquele lugar repleto de lembranças para passar o fim de semana. Sentiu falta das velhas certezas.
Ao menos as divagações não me abandonaram... ¿ pensou, enquanto caminhava em direção ao balcão.
Foi quando levantou os olhos e viu Helena. Reconheceria em qualquer lugar aqueles cabelos negros cacheados, as costas magras que terminavam na bunda redonda, as pernas longas e grossas. Ouviu a voz suave pedir:
- Duas garrafas de ChateauNeuf du Pape e 200 gramas de queijo brie.
Percebeu Cláudia parar instantaneamente. Olhou para o lado e viu o seu rosto assustado. Mas ela não olhava para Helena. Não. Ela olhava para outra pessoa. Alguém que estava ao lado de Helena. Um homem que estava ao lado de Helena. Humberto - o diretor do banco que o havia demitido meses atrás! E que estava de mãos dadas com sua ex-mulher!
Em frações de segundo dezenas de imagens foram se sucedendo. As falcatruas que imediatamente antes da sua demissão surgiram uma atrás da outra como oportunidades de ganho ilícito. O desconforto com a sensação de que suas recusas eram ignoradas, já que outras ofertas sempre apareciam... Tudo culminando com uma demissão estranha, embasada em supostos cortes motivados pela crise financeira do país.
- Crise? Que crise se, com o crescimento dos planos de Previdência Privada, os ganhos do banco foram 20% além do esperado no último ano? - disse, indignado, um ex-colega de trabalho.
Quando Marcos respondeu - sei não... mas a esta altura do campeonato também não estou interessado em saber - ouviu o colega retrucar:
- É. Tem coisas que é melhor a gente não saber mesmo...
Quando lembrou do seminário no resort de Porto de Galinhas, dois anos antes, em que ficara, com Helena, no quarto ao lado do de Humberto, sentiu como se cada parte do seu corpo estivesse viva. Sua única vontade era quebrar a cara daquele filho da puta. No momento em que cerrou os punhos, viu Cláudia entrar na sua frente e dizer:
- Não faz isso, Marcos. Vamo embora. Tenho umas coisas pra te contar.
Neste instante, o chão pareceu se abrir. Os pensamentos se atropelavam:
- Como assim Tenho umas coisas pra te contar? Então você sabia de tudo e não me falou nada, sua desgraçada? Que porra é essa? Que porra é essa?
Ele não percebeu que não estava em silêncio como imaginava. Não percebeu que gritava como louco no meio da padaria. Não viu Humberto voltar-se e, petrificado, encostar no balcão. Não registrou quando Cláudia o arrastou para dentro do carro. Não viu Helena, minutos depois, sair atrás dele, desesperada. Sequer lembra de Cláudia dirigindo até o sítio. Quando se deu conta, estava lá. No fim do mundo.
Publicado em 7/22/2004
Torres Gêmeas - Terceiro Capítulo
Por Mariana
- Ooooi - disse Marcos, sem muito ânimo. Por que será que ela tinha vindo sem avisar, pensou.
- Cara, eu recebi seu email, né? - Claudia respondeu, já entrando - Seu mundo caiu! Primeiro a Helena, agora o emprego! Como amiga, saí mais cedo do trabalho e corri pra cá.
Marcos fechou a porta enquanto pensava se gostara ou não da visita repentina. Claudia era maravilhosa, sim. O tipo de pessoa que sempre o confortou. Mas não queria falar muito. Não sabia bem o que falar, na verdade. No fundo, no fundo mesmo, estava com vergonha. Sentia-se mais do que fracassado e encarar uma mulher que fazia sua cabeça não era fácil. Estranhamente gostava de estar com Claudia quando Helena estava ao seu lado. E, claro, quando tinha mundo a fundos para contar sobre o trabalho ou sobre
o carro novo. Assim, em frangalhos, meio-homem, queria distância dessa mulher que ele admirava. Por mais que soubesse que era sua grande amiga.
- Ah, mas eu tô bem...- se limitou a dizer, enquanto fingia soprar o pó da mesa. Desde que Helena fora embora e levara a empregada de anos (sim, ele ficara também sem a empregada!!), Marcos chamou uma diarista apenas três vezes. E a última vez já tinha três semanas.
- Bem? Você tá com uma cara péssima! Por Nossa Senhora da Autossuficiência, cara, assume que tá mal!
Estava mal, sim. Situação adversa master, como diziam no trabalho. Não sabia por onde começar a dar a volta por cima. Não tinha qualquer experiência nem em sacudir a poeira. Tudo em sua vida seguia uma linha bem retinha. Família estruturada, bom aluno, adolescente tranqüilo, passou fácil no vestibular, seguiu a carreira que sempre quis. Casou-se com a mulher que gostava. E sempre agiu corretamente com tudo. Tudo muito ideal. Até ali. Agora a tal da reta havia virado um louco zigue-zague, cujo fim, achava ele, era um belo de um abismo. Não se conformava em ter sido tão ingênuo de achar que teria essa vida perfeita impunemente...Não. Um dia o barco virou. Exato quando pensava isso, ouviu de Cláudia, que falava bastante sem que ele prestasse muita atenção.
-...e sei lá, Marcos, mas acho que muitas vezes essas porradas servem pra gente reavaliar a nossa vida, talvez pensar num modelo diferente, começar do zero, fazer o que sempre quis fazer e por algum motivo não fez...
Fazer o que sempre quis fazer e por algum motivo não fez?
Agora Marcos já não sabia dizer o que tinha dado nele. Estava longe de ser um homem passional. Pensava em cada detalhe da vida antes de agir. Às vezes pensava tanto que deixava de fazer. Mas não desta vez. Quando ouviu as palavras de Cláudia, esparramada no sofá, não pensou em nada. Sentou-se perto dela e a puxou-a para si. Ela não resistiu ao seu beijo. Ao contrário.
Parecia que também sufocava a vontade por muito tempo. Se beijaram muito, transaram ali mesmo, há muito tempo não era tão bom com ninguém, pensou Marcos, ao mesmo tempo em que lembrava do sexo morno que tinha com Helena nos últimos tempos. Morno e raro.
Mas como nem tudo é perfeito, agora que Cláudia tinha ido embora, ele varava a madrugada preocupado com uma frase que ela lhe dissera já na porta do elevador:
- Vou refazer minha vida. Me aguarde.
O tom era afetuoso, mas pareceu-lhe uma ameaça. Deu-lhe um forte beijo, molhado, e foi embora.
Por mais que gostasse de Cláudia, tudo que Marcos não queria nesse momento era uma namorada. E muito menos uma nova mulher.
Publicado em 7/15/2004
Torres Gêmeas - segundo capítulo
Por Maria
Agora as torres terminaram de ruir. O diretor do banco chamou Marcos para uma conversa naquela tarde. A empresa passava por cortes, a situação do país não era boa. Ele estava demitido.
Em casa, à noite, preparou um uísque, afrouxou o nó da gravata, sentou-se na varanda do apartamento em Ipanema e permaneceu imóvel por um longo tempo.
Pela primeira vez na vida não sabia o que fazer. Sempre esteve muito certo de suas decisões. A faculdade de Economia feita na PUC, o excelente emprego no banco, a escolha de Helena para se casar. Sabia que os amigos invejavam a mulher que tinha ao lado. Era bonita, inteligente, simpática. Formavam um casal bem sucedido.
Agora, com a demissão, era como se todas as escolhas feitas na vida fossem equivocadas. Perdera completamente seus referenciais.
Mas o que havia feito de errado? Marcos foi criado para ser um profissional bem sucedido, para ter uma boa família. Estudou nos melhores colégios, fez uma excelente faculdade. Ganhava o suficiente para uma vida confortável. Helena ajudava nas despesas da casa porque insistia. Ele tinha orgulho de saber que podia manter tudo sozinho. Gostava de dizer para ela gastar o dinheiro dela com alguns luxos, como uma viagem ao exterior, um fim de semana em Búzios.
Agora estava sem mulher e sem emprego.
O mundo é mesmo dos filhos da puta, pensou. Mais de uma vez, no banco, teve a oportunidade de participar de uma falcatrua. Bastava fechar os olhos para uma ou outra transação que teria em troca outro imóvel na Zona Sul, mais um carro, milhares de dólares.
Com Helena também foi correto. Em sete anos de casamento e dois de namoro nunca traiu a mulher.
E o que ganhou em troca? O fim do relacionamento e a demissão.
A campainha tocou, fazendo Marcos sair quase que de um estado de transe. Nos seis meses seguintes ao da saída de Helena de casa ele praticamente não recebeu visitas.
Era Cláudia, a única amiga que manteve ao longo dos anos. Conheceram-se na faculdade. Ela namorava um cara que fazia Engenharia, com quem se casaria dois anos depois. Ele já estava saindo com Helena. Talvez por estarem comprometidos conseguiram manter a amizade sem que nada mais acontecesse entre os dois. Cláudia ficou casada por apenas um ano e meio.
Diferente de Marcos, era absolutamente expansiva e alegre. Tinha a capacidade de tornar agitado qualquer lugar em que estivesse.
Publicado em 7/6/2004
Torres gêmeas - primeiro capítulo
Por Isadora
O mundo está se desmanchando. Não adianta ser inflexível. Era da frase dela que Marcos lembrava enquanto revia pela enésima vez "ao vivo" na TV a queda das torres do World Trade Center. Tinha decorado a seqüência. A primeira torre atingida um pouco abaixo da cintura. Chamas, um buraco cada vez maior se abrindo. Depois, a segunda torre um pouco acima da cintura, mais chamas. Cai uma torre, cai a outra, tudo acontecia como se tivessem filmado em câmera lenta. O mundo, aquele mundo que ele conhecia, nunca mais seria o mesmo. Estava se desmanchando na sua frente, e não havia nada que acomodasse essa sensação estranha de estar diante do desconhecido mas, ao mesmo tempo, ter a sua vida rotineira e banal para tocar, como se nada tivesse, de fato, mudado.
Como quando foi passar o primeiro final de semana na serra depois do 11 de setembro. Chegou na padaria para as comprinhas de praxe antes de subir para o condomínio e só ali percebeu que havia um pedaço de mundo quase intacto. A globalização ainda demoraria a chegar na vida do dono da padaria. E, como na Tabacaria de Pessoa, "olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates." As barras de Nestlé no balcão, as caixas de bombom Garoto na prateleira. Os chocolares de Pessoa deveriam ser suíços, divagou.
Marcos estava - ou sempre esteve - imerso em divagações. Também foi num 11, mas de dezembro, que ela foi embora. Assim, duas semanas antes do Natal, três semanas antes do Ano Novo. Caíam, com a partida dela, as torres particulares que o sustentavam. Mulher e companhia, esposa e amiga. Sim, porque agora ele vivia sozinho. Não faltava apenas sexo e amor. Faltava a outra parte da sua vida. Foi logo depois do atentando terrorista que ela anunciou, solene: "O mundo está se desmanchando, não adianta ficar inflexível".
Aparentemente, tratava-se da queda das torres, mas três meses depois que a mulher arrumou as malas e partiu, ele soube que a frase dizia respeito mais a ele do que ao Bin Laden. Fim de um casamento feliz. Feliz? Afinal, o que era um casamento feliz? Ela gaguejou quando ele perguntou. Lembra bem disso. Enfim, tinha encontrado uma pergunta para a qual ela não tinha resposta.
Felizes são os que têm para onde voltar. Tinha escutado, há tempos atrás, essa frase, dita por uma amiga, a única amizade com uma mulher que conseguiu manter ao longo da vida. É, um casamento feliz é, de certa forma, a sensação de que, depois de uma jornada exaustiva, cada um tem para onde voltar. A casa aí cumpre o papel não do velho lar - que de doce não tinha nada -, mas de um lugar de aconchego onde é possível estar a salvo. Feliz é o casamento no qual niguém cobra nada de ninguém.
Mas isso existe? Sabia que era alguém que cobrava muito. De si mesmo, acima de tudo, mas também dos outros. De Helena tinha cobrado demais. Perfeição era o mínimo. Tudo, absolutamente tudo tinha que ser perfeito. Ele agora reconhecia o quanto tinha sido exigente, transportando para o casamento uma cobrança que não suportava mais fazer a si mesmo, mas da qual também não sentia capaz de se livrar. E agora, que pela primeira vez compartilhava com ela da idéia de que o mundo estava se desmanchando, se dava conta de que todo seu sofrimento estava em ser tão inflexível.
Tinha amado Helena profundamente. O chato era aquela mania dela se adotar um tom quase profético - característica insuportável, que ainda se acentuava nas crises. Mania de dar importância demais ao que estava dizendo, como se fosse uma sentença definitiva, uma proclamação. Isso. Helena não falava, proclamava. Não dizia, anunciava. Tudo carrega um tom solene de quem tem a verdade. Ele cansou de dizer:
- Você quer ser dona da verdade.
Ela chorava, dizia que não era nada disso. Que só queria conversar. Se Marcos não suportava quando ela começava com aquele assunto todo, suportava menos ainda quando Helena chorava. As mulheres são foda, pensava. Se fazem de duronas, mas basta o cara não dar muita atenção, e se desmancham em lágrimas. Detestava ver mulher chorando, detestava ainda mais quando achava que a culpa era dele. É, talvez fosse esse o seu grande problema: toda vez que Helena chorava, ele a odiava tanto que não conseguia sequer encostar nela. Sentia-se um danado, fodido, culpado. Preferia sumir a ter que ver as lágrimas, o espetáculo todo que constituía uma crise. Mas agora, até das malditas lágrimas de Helena ele sentia falta. Uma falta física, intransponível.
Publicado em 7/2/2004
Decisão
Por Mariana Saldanha, do ElaporElas
A chuteira me apertava o dedão esquerdo. Logo meu pé-curinga. Alguma coisa na camisa nova do time pinicava meu pescoço. A etiqueta eu já tinha tirado, mas o incômodo continuava. Achei que o short era grande demais, não valorizava meu coxão de centroavante, a parte que elas mais olham. Porra, eu estava parecendo um viadinho em frente ao espelho, o único espelho do vestiário que tinha dois pedaços quebrados por socos de revoltados em dias de derrota. Sete anos de azar, dizia minha mãe. Coisa de mulher essa parada de superstição, mas não custava nada prevenir. Então peguei a nota de um dólar dobradinha na carteira e beijei discretamente. Ao lado, a foto 3X4. Dela. Não fazia jus mesmo a sua beleza. Sabe o que é ter olho numa mulher por quase 15 anos? Pois eu queria aquela menina desde que nem mulher ela era ainda. Claro, passei bons anos fingindo que a detestava, atirava bolinha de papel na cabeça dela em sala de aula, implicava. Cheguei a jogar Coca-Cola na mochila que ela tinha acabado de comprar. Na verdade eu detestava ela um pouquinho, sim, detestava passar o tempo todo querendo que ela chegasse, odiava desviar o olhar da pelada do recreio e olhar pra ela pulando elástico, imaginando como ela seria...pelada. Pois na pelada daquele dia - peraí, pelada, não, Final do Quadrangular do Campeonato Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro!! -, ela iria me ver jogar. Não, não, não estaria na arquibancada agradecendo pela Coca-Cola que estragou a mochila da Company nova...Agora ela era...minha namorada. Pois é. Não é que anos depois a gente se reencontrou na praia? Não tem um mês. Ela de biquíni era melhor do que eu a imaginava - pelada - em tantos recreios. O peitinho não era grande, mas era redondinho. E sempre de farol aceso o biquinho, que coisa linda. A bunda era bonita também e que belas pernas...Mas por incrível que pareça (e não contem pra ninguém), apesar do corpão, o que eu mais gostava nela era o sorriso. Tinha uma coisa maternal e safada ao mesmo tempo, nunca que vou conseguir explicar isso....Era mais ou menos como se minha mãe me confortasse quando eu era pequeno com medo de escuro, mas de repente metesse as mãos debaixo da coberta, apertasse o meu pau e eu não ficasse constrangido. Vai entender. Pois quando eu entrasse em campo, a mulher dos meus sonhos estaria, pela primeira vez, me vendo jogar. Não adiantavam de nada os 25 gols que eu tinha feito até ali. Ela não viu. E, pra mulher, um gol contado tem o efeito de nó em pingo d'água. Elas olham pra gente assim, meio sorrindo, mas no fundo pensando como podemos achar graça em narrar alguma coisa que só pode ser visual - e, mesmo quando visual, sem muita graça. Então não bastava que eu fizesse um gol naquela final. Tinham que ser muitos gols. Ou um só, mas inesquecível. Um Garrincha depois de driblar cinco adversários ou um Pelé de bicicleta. Ou do meio do campo - aquele que o Rei quase fez. Caralho, seria a glória! O Nino lançaria pra mim em profundidade no finzinho do segundo tempo, o jogo empatado, a ansiedade em cada poro, o suor gelado escorrendo da testa de 22 homens, gladiadores numa arena de vida ou morte...Pois a bola do Nino, um passe mágico, num passe de mágica, cairia no meu pé como sob encomenda e eu seguiria endiabrado pela direita, driblando dois, tabelaria com o Pinto que me devolveria pelo alto e eu empurraria a bola rede adentro numa meia bicicleta arrasadora, inesquecível e decisiva, comemorando na direção da minha garota ao mesmo tempo em que o apito do juiz encerraria a partida!! Putaquepariu! Meu sorriso babaca no espelho foi interrompido pela chamada do técnico. Entrei em campo já com periscópio na arquibancada. Ela estava lá, me acenou sorridente e por alguns segundos tive a mesma sensação de quando ganhei uma bicicleta no palito de picolé premiado ou quando completei o álbum de figurinhas do Mundo Animal. Perdemos o jogo de 5 a 1. Eu fiz o 1. De pênalti, esperado, sem graça. Mas ela se levantou e comemorou como se tivesse sido o gol que eu sonhara. Eu vou casar com essa mulher.
Publicado em 6/18/2004
O dia em que eu fui ao analista
Por Laís Faria, do Linda&Loura
O despertador. Então não era pesadelo. A Lara me deu mesmo o pé na bunda e eu to enchendo a cara há uns três dias seguidos. Tenho que parar de beber. Tenho que pagar a conta do telefone para poder pedir pra religar a luz porque eu não paguei a conta também. Tenho que falar com a Lara. Caralho, que merda de vida, quanta coisa eu tenho que fazer e não tenho a menor vontade de levantar dessa cama. Mas ainda me resta o celular. Está ao alcance da mão e a gente sempre pode desligar ou colocar no vibracall quando não tá a fim de falar com a mãe, o editor ou a moça do telemarketing que são as únicas pessoas que te ligam depois que você levou o maior fora da sua vida. Recados. Minha mãe tá preocupada com a minha geladeira. Saiu mais uma crítica do meu livro: ¿Sensível retrato da Solitude¿. Só pode ser piada. Eu sou um pústula. Escrevia um monte de merda no jornal. Todo mundo achava o máximo. Agora escrevo os mesmos montes de merda em livros e todo mundo acha o máximo de novo. Até a Lara. Ela se apaixonou pelos meus livros, mas cansou de mim. Eu avisei que jamais saberia o que fazer com um casamento, que tudo que eu sei construir são histórias, avisei que família e filhos não faziam parte da ordem mundial de Luiz Fernando Steiner. A Lara vivia me dizendo que eu precisava fazer terapia. Meu Deus, porque as pessoas andam tão insistentes com isso? Será que eu não sou capaz de resolver meus problemas sozinho? É tudo tão simples: eu não tenho vocação para família e não tenho não tenho vocação para pagar contas no prazo, assim como não tenho vocação para engenheiro. Ela ficava louca por causa do remédio que eu tomava, às vezes, para dormir. Porque as pessoas complicam tanto: tenho insônia, sou um ansioso crônico e a medicina evoluiu e criou esses medicamentos fantásticos que nos fazem dormir como bebês. Qual o problema?
O problema é que ela foi embora e nem essa porra de Lexotan me faz ter um sono decente. Eu liguei pra ela ontem, bêbado, e ela me disse que só tem conversa se eu for pra terapia. Então é isso. Eu vou. Pro analista. ... Que isso, Luiz Fernando, enlouqueceu? Jogando as premissas básicas da sua essência por terra por causa de uma mulher? Cogitar ir a um patético consultório olhar pra cara de um cara patético que se propõe a ajudar a resolver problemas que você sequer acredita que existam. Eu não tenho vocação para ir ao analista. Não adianta. Mas tenho vocação para construir histórias. Vou imaginar que fui ao analista e a Lara topa conversar. Google: Freud, Lacan, psicanálise, divã.
- Doutor Borba? Prazer, Luiz Fernando.
- Como vai, Luiz Fernando, é a primeira vez que o senhor procura um terapeuta?
- Primeira vez? Ah, sim, claro.
- E o que trouxe o senhor ao meu consultório?
- ... Curiosidade. O senhor sabe.. eu sou escritor..
- Sim, claro, já li seus livros. São muito bons..
- É isso, estou tentando entender melhor o universo psicanalítico e psicoterapêutico
- Compreendo. Então o senhor não tem nenhum problema, nenhuma questão..
- Ah, não. Claro que não. Quer dizer, problemas todo mundo tem, não é mesmo..
- É verdade, as contas cada vez mais altas, os filhos que estão indo mal no colégio..
- Ah, não, não. Eu não tenho vocação para família. Não tenho filhos.. Minha namorada me deixou recentemente por conta disso. Mas eu nunca a enganei. Sempre disse claramente que isso não estava nos meus planos..
- Entendo... mas o senhor está bem, não é..
- É. Quer dizer, mais ou menos. Eu gostava muito dela...
- Então o senhor tem um problema?
- É verdade, doutor. O problema é que não há meios de a Lara entender que datas comemorativas são só uma mesquinharia do mundo capitalista, que pagar contas na data é uma coisa absolutamente medíocre e sem importância, que ter filho é uma coisa horrível que acaba com a vida de qualquer um e que eu não preciso de analista.
Publicado em 6/18/2004
Ultrassonografia
Por Isadora, do ElasporElas
Ele tinha os olhos fixos no relógio: 14h50. De todas as mulheres do bairro, da cidade, do estado, do país, do mundo, foi arranjar de gostar logo de uma que tinha mania de chegar sempre - religiosamente - 10 minutos antes da hora. Isso num país onde não havia a menor tradição de pontualidade, para não falar do estereótipo clássico de que mulher nunca chega na hora. Pois bem, a mulher dele - por que tinha que ser com ele? - chegava antes da hora.
É, mulher é um bicho difícil mesmo de entender, pensava, com os olhos fixos no relógio, o café de depois do almoço esfriando em cima da mesa. Ele sabia que Helena já estava na sala de espera para fazer a ultrassonografia, o que ele ainda não sabia era se iria encontrá-la.
E se não fosse? Claro que a primeira coisa que ela iria pensar é que ele não quer o filho. Ou, como ela diz, não quer "assumir essa". Babaquice esse negócio de dizer "assumir". Mulher tem mania de cobrar responsabilidade, posição, decisão, como se dos homens sempre fosse esperado algum tipo de atitude "superior".
É por isso que sou contra essa papo de feminismo. As mulheres ficaram só com o lado bom, e aos homens, agora, só resta serem tratados como uns babacas. A menos que a coisa fique grave, aí então é hora delas cobrarem que eles se apresentem "como homem e assumam".
Como Helena poderia esperar dele algum tipo de reação razoável se, na mesma semana, num pequeno intervalo de dois dias, tinha sido demitido e informado que ela estava grávida?
É, informado, porque essa gravidez não estava nos planos de ninguém. Mas ela, uma vez com o filho na barriga, não quis nem pensar na hipótese de não ter a criança. Ele, que já estava constrangido com a demissão - contrangido porra nenhuma, tava era puto da vida mesmo -, não sabia o que dizer.
Será que ela não poderia imaginar que a última coisa que um homem quer na vida quando perde o emprego é descobrir que vai ser pai?
15hs. Se levantar agora, chega na clínica em 15 minutos. E, claro, como tudo sempre atrasa 15 minutos, ela ainda estará na sala de espera. Ele pode segurar na mão dela enquanto os dois, juntos, vêem na tela do aparelho aquela coisinha mínima que o médico vai chamar de bebê. E ele terá que ficar solidário e emocionado, e ela vai entender que seu comportamento quer dizer que tá a fim de se pai. Não sabe se está, e não sabe como dizer isso, não sabe sequer se deve dizer isso. E agora que não tem emprego também não sabe se vai poder pagar as contas dele, quanto mais a dos três.
Por que Helena estragou tudo?, pensava Marcos quando pediu ao garçom que trouxesse a nota. Almoço barato, boteco bom, um lugar onde Helena não gostava mais de ir. Nesses anos de namoro, criaram incompatibilidades até culinárias. Saía com fome de todos aqueles restaurantes metidos a besta onde pagava uma fortuna para ela comer saladas variadas.
Se não tivesse perdido o emprego, se Helena não cobrasse tanto e por qualquer coisa, se sentisse pronto, adoraria estar lá, agora, acariciando a barriga da mulher, sem se importar em fazer cara de idiota na frente do médico. Mas não hoje, não depois de perder o emprego, não se sentindo um merda, um desqualificado, um sem futuro.
É isso. Que futuro ele poderia dar ao filho e a Helena? Porque não poderiam continuar vivendo apenas o presente? Tinham que fazer planos? Helena e aquela sua irritante mania de fazer planos. Como vai ser o fim de semana, como vão ser as férias, o verão que vem, o ano que vem, o próximo milênio? Tinha sempre vontade de responder: "Sei lá, porra!" Sempre, em todas essas conversas sobre planos e futuros, tudo incluía a cobrança de que ele "tomasse uma atitude."
Deixou o troco em cima da mesa. Com a palavra "atitude" martelando na sua cabeça, pegou um táxi. Se o trânsito ajudasse, ainda dava tempo.
*****
Entrou na sala de espera esbaforido. Helena estava sentada num canto, olhar perdido, fingindo que lia uma revista. Quando o viu chegar, abriu um sorriso. Depois de um beijo burocrático, ele disse:
- Oi. Desculpe o atraso.
Ela, apesar de feliz com a presença dele, não conseguiu deixar de dizer:
- Para variar, né?
Marcos esboçou um sorriso amarelo e resistiu a começar uma briga, a dizer que ela precisava largar essa obsessão com pontualidade, que todo mundo se atrasa nessa vida maluca, nessa cidade maluca, nesse mundo maluco. Jamais contaria a ela que quantas vezes pensou em nunca ter ido, em nunca mais vê-la, nem muito menos de estar ali, para admirar um bebê que ainda não passa de uma manchinha numa tela.
A enfermeira chamou. Lá vai ele, entre arrependido por ter chegado e feliz por que teria um filho com a mulher que ama, lá vai Marcos. Enfim tomara uma atitude. Tomara.
Publicado em 6/8/2004
Broxei!
por Reox, do Mulherzinha
Eu tenho que pensar em alguma coisa. O que é que eu vou dizer pra ela? Já sei! Vou dizer que isso nunca aconteceu comigo antes. Cabeçudo! Isso é o maior clichê do mundo! Além do mais, não foi na semana passada mesmo que nós saímos, eu bebi demais e... falhei? Essa não vai colar. Tenho que pensar. Pensa cabecinha, pensa!
Como é que eu vou pensar em alguma coisa se a minha única cabeça pensante acabou de desmaiar?! Nossa, que papo mais careta. O que é isso?! Eu sou um homem moderno, só não sou um metrossexual porque seria viadagem demais, mas peralá, estou acima disso tudo. Os homens têm sentimentos também! E pensam! Afinal de contas eu tenho duas cabeças! Uma para trepar e outra para... para... ah, não consigo pensar em nada.
Ok, tudo isso está passando pela minha cabeça, portanto, penso, logo existo. Quem quer fingir que não existe de vez em quando é o meu amigo aqui, que não pensa, logo desiste. Todo "pimpão" ele, olha só. Nem sinal daquela esperteza...
Que tal dizer a ela que nós não temos envolvimento sentimental suficiente para termos uma relação sexual? Nossa, isso sim é coisa de boiola! Pára com isso, rapá! O que o seu pai diria se ouvisse esse pensamento?!
Não sei exatamente o que foi. Talvez tenha sido a hora em que ela disse que me amava. Estamos saindo há duas semanas e ela já veio com esse papinho? Corta o tesão de qualquer cidadão! Ah, mas se eu disser que foi isso ela
vai ficar magoada e vai querer discutir a relação. Pelo meu São Jorge, além da frustração de não funcionar ainda ter que agüentar essa mulher falando duas horas não vai dar não!
Posso dizer que estou estressado, que meu trabalho anda exaustivo e que a minha família está me deixando louco. Ih, mas ela, com essa mania de psicóloga, vai querer me analisar e eu vou acabar mandando tudo pras cucuias. Já sei! Vou simular uma crise renal! Ainda ganho uma massagenzinha nas costas de brinde! Errr. Melhor não, com saúde não se brinca.
Não sei o que dizer. Mas quer saber? Não tenho mesmo é que dizer nada. Não rolou, pronto. Depois a gente tenta de novo. Vou é dormir.
- Boa noite, Suzana.
Publicado em 5/28/2004
Sessenta minutos
por Raquel, Linda&Loura
Filho da puta. Por que não deu o passe? Não me viu livre na cara do gol não, ô desgraçado? Tudo o que eu precisava hoje era entrar como bola e tudo aos 45 do segundo tempo... FILHO DA PUUUTAAAAA! Tá bom. Tá bom. Vamo deixá pra lá. Tenho só uma hora para passar no banco e tirar dinheiro. E fechar a mala. Porra! Ainda tenho de deixar a chave na casa da minha mãe. E trocar de roupa. Tô fudido mesmo.
Será que esse desgraçado aí na frente não sabe onde é que fica o acelerador, não? É O DA DIREITA, SEU IMBECIL! Vê se anda com essa meeerda! E sai da frente, dona Maria! Um dia ainda meto o carro num idiota desses... Tudo bem que, agora, é melhor só estacionar rapidinho na porta desta garagem e tirar logo o dinheiro da viagem no caixa eletrônico. Quer saber? Vou ligar pra casa e pedir pra mãe terminar de fazer a mala, deixar o terno em cima da cama e pegar a chave comigo.
Caralho. Nem acredito que consegui me arrumar e chegar na hora. O padre tá aí, mas a Carolina vai se atrasar. Ela sempre atrasa. Será que o vestido de noiva é daqueles que parecem bolo de aniversário? Se ela parecer gorda nas fotos, vai ficar puta. Mas puto mesmo fico EU se ela, em um ano, adotar o tipo gorda-baleia-matrona. Esse negócio de casar é foda. Eu devia fazer igualzinho na propaganda: só prometer comer a mesma mulher o resto da vida se ela jurar ficar gostosa pra sempre. Aí eu entro com bola e tudo. O tempo que durar a partida.
Publicado em 5/25/2004
Idéia fixa
por Maria, do Maria Sai da Toca
Querida Rosely,
Com esta carta pretendo fazer uma retrospectiva de todos os momentos felizes que passamos juntos. Só assim poderei superar a terrível cena de vê-la aos beijos com Pablo, meu companheiro de trabalho e melhor amigo aqui no Chile. Sei que ainda podemos
ser felizes juntos.
Abandonei minha pátria, meu emprego e minha família pra vir para cá. Você é meu Norte, meu Sul, meu Cristo Redentor da Cordilheira dos Andes. Quando ficava com seus filhos para você sair com suas amigas eu esperava ansioso você chegar. Dei de presente pra você nosso cachorrinho, o Tobi, e para não indispô-la sempre limpava o cocô dele. E como gostava de vê-la dormir! Te levava café na cama e você reclamava bonitinho: "o leite veio com nata, o leite veio com nata!"
Entrei naquele curso de massagem só pra tocar com autoridade suas costas. E nunca me importei por você não fazer nunca massagem em mim, você diz que podia machucar suas unhas. Ah, Rosely, lembra daquele nosso aniversário de namoro, naquele hotel nos Lagos Chilenos? Aquele, que você disse que nunca mais poria os pés porque tinha apenas 3 estrelas? E das tantas vezes que tomamos banho juntos, você dizia que eu enchia de cabelos seu banheiro. Por tudo isso, por tudo isso...
...
Porra, Rosely, sabe de uma coisa? Ainda bem que tu me traiu, sua cadela. De outra forma eu não veria que você não merece meio pentelho meu no teu box.
E tem mais. Todo mundo no escritório sabe que o Pablo só consegue trepar depois de tomar viagra. E sabe qual é o apelido dele no futebol, sabe qual é? Mindinho. Porque o pessoal viu que ele tem pau pequeno no vestiário.
Então, Rosely, fique com seu Mindinho, eu tive foi sorte de você ter me traído. Agora você realmente vai ter que se foder, porque se for depender do Mindinho pra isso, vai ficar difícil.
Publicado em 5/11/2004
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